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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Moda de Inverno em Montreal

Tudo começou com um post delicioso da Lidia, do Quebecquando...

Eu só queria comentar sobre o que descobri no período que morei em Montreal, mas meu comentário ficou gigante, pra variar, e acabei achando meio sem noção inapropriado usar tanto espaço no blog alheio!

Aqui seguem os meus humildes pitacos, por categoria:

- moda outono x moda inverno: como vc falou (a Lidia, gente), é mais fácil ser chique no outono com sobretudo de lã do que com os casacos de duvet no inverno. Mas os dois são necessários! Ter só UM bom casaco faz vc suar MUITO no resto do ano! Por isso, acho que o ideal é ter três: um de primavera (leve e impermeável), um de outono (lindo, para as fotos!) e um de inverno (até o joelho pra aguentar o perrengue!). O de inverno precisa ter, no mínimo, 65% de duvet, se não... a novidade é que existe duvet vegetal! Leia aqui!

- capuz: taí um ítem muito subestimado num casaco! Ninguém discute sobre o capuz, mas quando o inverno pega, ele faz toda a diferença!!! Para o meu gosto, precisa ter aqueles pelinhos pra segurar o frio (de preferência com opção de tirar, pra lavar separado) e ser grande e fácil de prender. Passear no Vieux Port com o capuz frouxo é irritação na certa... o vento arranca toda hora!!! E, pode parecer exagero agora, mas quando a neve pegar pra valer, vai dar vontade de deixar só o olhinho de fora. E olhe lá! (Rá!)

- a beleza vem de dentro: não sei não, mas se o casaco de inverno só vê quem tá passando frio com vc na rua, a probabilidade é altíssima de que, sob uma temperatura dessas, ninguém esteja nem um pouco interessado no que vc está vestindo. A menos que seja brasileiro, claro. O charme todo aparece ao chegar no lugar. Ficava admirada como as moçoilas estavam impecáveis por baixo de casacões judiados de 3 invernos atrás. O segredo é estar linda por dentro! (rsrs)

- o peso da moda: até pela razão acima, é preciso considerar o peso do casaco a ser comprado. É um tira e põe sem fim, principalmente se você pega ônibus e/ou metrô. Parece bobagem? Imagine colocar tudo pra esperar o ônibus no ponto (que todo mundo diz que é aquecido, mas quase nunca é!) e tirar tudo dentro do ônibus pra não chegar derretendo no destino. Depois de 15/20 minutos colocar tudo de novo pra não pegar uma pneumonia ao descer e começar tudo de novo no metrô?! É a maior ginástica, juro. No fim do inverno a gente prefere passar frio ou calor, só pra não tirar e por tanto assim. Aff...Cansa.

- pra quem pode: existem uns casacos com muita tecnologia, que custavam cerca de $400 dólares nos outlets de NY (agora estão na promoção - black friday) e são super levinhos. Sonho de consumo que dá de 10x0 no Canada Goose. Eu vi na North Face e na Columbia, mas fiquei sem saber a procedência deles... #eseforemdoschinesinhos?!

- botas da estação: as botas também variam a cada estação. Tem as galochas de chuva (pra todos os gostos), as botas sensuais de outono e as de inverno (sugiro as que aguentam até -30, no mínimo!). Os  vendedores não facilitam: perguntam quanto tempo vc vai ficar exposto e à qual temperatura... como eu vou saber?!?  Além disso, tem a questão de ser sintética ou não, na época eu fui com o que me falaram: que a sintética não iria aguentar. Hoje eu sei que existem opções mais ecológicas. Mas uma coisa importante que acho que ninguém mencionou é sobre a sola da bota! Precisa escolher bem porque quase todo mundo cai em Montreal no inverno...escorrega demais! Principalmente se cair aquela chuvinha que congela e descongela no solo. Usar tênis nesse piso é como jogar futebol com chuteira de salão no campo molhado... um sabão! (eu sou o cara! rs)

- leggings e roupas térmicas são um must: jeans? tubinho preto? Nada disso. Foram elas que eu usei (e muito!) São as verdadeiras peças coringas, por baixo ou por cima. Versáteis e indispensáveis. E eu comprei aqui na Decathlon. De resto, tudo o que eu levei de cacharrel de lã e blusinha de linha acabou ficando na mala. O vento frio é exímio em passar pelos buraquinhos!

- a mão e a luva: nunca soube que existiam tantos tipos de luvas! As de lã, que custam $1,50 na dollar store, seguram até o começo do outono. Em outubro já precisa de luva pra andar de bike (se não o dedinho congela). Depois de um tempo, vc vai precisar de uma mais cara forte. Aí tem as que os dedinhos ficam juntos (dizem que esquenta mais) e vc ganha uma mão de pato, as que soltam a parte de cima e as que cada dedinho fica no seu espaço. Varia de gosto, mas estilo mesmo elas não têm. As bonitas, de couro, não servem pra nada no inverno! Só se tiverem algo dentro... eu não curto, mas aí entra a consciência ecológica de cada um (não conta pra Lídia...rs).

- acessórios: eu amo boinas e chapéus, acho um charme, e tudo o que é de amarrar no pescoço também (tem tanto nome diferente!). O que eu acho mais estranho é aquele protetor de orelha tipo "fone de ouvido peludo". Eu achei ridículo quando vi pela primeira vez, mas não tinha ideia de como a gente passava frio na orelha!!! Comecei a usar uns discretos em janeiro, por baixo do cabelo, mas hj acho que encararia numa boa. O importante é ficar quentinha e confortável!

Princesa Leia que me aguarde (daqui)

- saia no inverno, rola ou não rola?! eu juro que tentei. Eram apenas algumas quadras e eu não aguentava mais usar legging térmica por baixo da calça jeans (que misteriosamente começa a não querer fechar mais no inverno!). Pois bem, um belo dia saí de saia (média), meia-calça fio 110 e bota. (detalhe: com o meu casaco de inverno até o joelho por cima). Ou seja: nada parecido com as montrealenses que usam saia na metade do bumbum, casaquinho curto, meia-calça fio 40 rasgada e salto-alto! RESULTADO: O frio amortece a alma!!! Alguns passos e você pára de sentir o seu corpo. Não dá!!! Acho que essas meninas são mutantes. Ou é muito desespero mesmo...

Pra resumir, fiquei com a impressão que, em Montreal, os acessórios é que são o charme da brincadeira toda. E a maquiagem, claro. Que protege a pele da friaca (deve ter protetor solar e tudo, pode perguntar pro dermatologista!). No mais, é aquela exibição sem fim de bolsas e carteiras que custam pequenas fortunas, como a gente vê por aqui.

Mas o melhor de tudo isso é você poder fazer a sua moda, sem ninguém ficar te medindo sem parar. Nem te tratar diferente porque você é estranho (o conceito de estranho é meio estranho por lá). O gostoso é criar um estilo para você mesmo e ousar ser diferente até cansar de brincar.

Au revoir!



domingo, 24 de outubro de 2010

Aniversário de 5 dias!

Cheguei há cinco dias.

No primeiro, fiquei desorientada. Não sabia se acomodava as roupas no novo quarto, se comia, se dormia ou se aproveitava para conhecer a vizinhança antes de escurecer. Acabei fazendo um pouco de cada, e nada direito. E antes de matar a minha própria curiosidade, entrei na internet para matar a curiosidade dos mais próximos, que já estavam agoniados com a minha demora.

No segundo dia, fui conhecer a cidade. Tomei um banho demorado e fui para downtown. A roupa aguentou o frio (camiseta de algodão, cacharrel de lã, blusa térmica e casaco, acompanhados de um jeans com meia fio 110, gorro, luvas e cachecol). Acho que exagerei, nem era inverno ainda. O sufoco é que depois de entrar no ônibus quente, no metrô quente, na lojinha quente, na escola quente... dá uma vontade danada de sentir o friozinho de novo.

O frio daqui é um frio que vicia, dá uma sensação de limpeza e liberdade, que o calor não dá. É um frio bom sentir, diferente do frio que te derruba no Brasil, que não te deixa sair debaixo das cobertas...

Aproveitei pra visitar a escola de francês, o YMCA, e descobri que mais parece um clube, com direito a cheirinho de Fórmula e tudo mais. Também troquei uns dólares no Bureau de Change e almocei no Anton e James, um restaurante muito agradável, com um som legal de fundo, que fez com que me sentisse em NY.

Mais tarde, olhei as vitrines da rua Ste-Catherine (a Robson de Montreal) e jantei com a Cris, que conheci no avião. Fomos ao La Medusa, um italiano com péssimo serviço e comida mais ou menos. Não fosse por um senhor muito simpático que se sentou na mesa ao lado, a noite teria sido um fiasco. Ele nos disse que aquele era o restaurante favorito da Celine Dion (se for, ela precisa conhecer a Pasquale).

No terceiro dia, fui conhecer a região que mais me agradou no vídeo espetacular do tourisme-montreal, o Vieux Port. A visita só confirmou minhs expectativas: o bairro é lindo (eu conto mais em outro post) e o frio é de lascar!

Foi então que decidi comprar a jaqueta de inverno (queria comprar uma 80% duvet, como os brasileiros recomendaram, mas não resisti a uma weekend sale da Sears!). No quarto dia acabei comprando na loja do Carrefour Angrignon que tinha um casaco em promoção de 300 por 150 dólares! Só tem 65% duvet, mas a Marie -da minha homestay- me jurou que segura o frio). Agora só faltam as botas!

* Quem chega ao Canadá no verão, deve aproveitar pra comprar os casacos Canada Goose enquanto estão em oferta. No final do ano os preços aumentam, e aí só quem tem muita grana mesmo pra pagar U$500 dólares no "brinquedo" (não que não compense no fim das contas...mas que dói, dói!)

E agora, no quinto dia, vou conhecer a Catedral de Notre Dame com a Desiree. Depois eu conto mais!
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