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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Moradia em Montreal III - documentos

Último post do quesito moradia...

Segundo o guia, todo contrato de aluguel é feito por escrito. Existe um contrato padrão feito pela Régie du Logement, organismo oficial responsável pela regulamentação do setor imobiliário. Uma cópia fica para o inquilino e a outra para o proprietário, ambas fornecidas pelo proprietário. Normalmente o contrato é de um ano, mas podem-se negociar diferentes períodos (checar se não é bem mais caro).

Se você desejar que seu aluguel termine ao final do período do contrato, não se esqueça de enviar uma carta registrada avisando, porque, pelas leis do Quebec, os aluguéis são automaticamente renovados se não houver aviso por escrito. Isto vale tanto para o inquilino, quanto para o proprietário. Para o aluguel de 1 ano, a carta deve ser enviada 3 meses antes do término do contrato. Para aluguel inferior a 12 meses, você deve enviar a carta 1 ou 2 meses antes do término do contrato. Observação: não fiz nada disso, porque o meu prazo já estava predeterminado no contrato. 

Se o inquilino receber carta do proprietário propondo mudanças no contrato (ex: aumento de aluguel, obras etc.), ele tem um mês a partir da data de recebimento para responder. Se não houver resposta, é porque o inquilino concordou com as alterações propostas.

Antes de assinar o contrato, não se esqueça de verificar:

a) se o prédio tem regras e, se as tiver, peça uma cópia;

b) tudo o que está incluído no aluguel (eletricidade, água, calefação, fogão, geladeira etc.) e tenha certeza de que o proprietário escreveu o que está incluído na seção de cláusula adicional. Todo o extra que for combinado deve estar escrito no contrato.


Meu caso: a proprietária contratou uma agente de seguros, foi ela que me apresentou o apartamento e fez os papéis.  Além de assinar o contrato, tive de contratar um seguro de locatário, que me disseram ser obrigatório no Quebec (em Vancouver não fiz!). Fiz 3 cotações e escolhi a Desjardins. Trazia um formulário super difícil de preencher, com dados como ano de construção do prédio, sistema de combate de incêndio e outros itens que eu não fazia ideia. Passei tudo pra corretora e ela que viu isso pra mim. Sei lá se ficou muito certo, ela também não sabia. Mas ainda bem que eu fiz seguro...

Em dezembro, voltamos todos para o Brasil, o aluguel vencia em janeiro. Meus sobrinhos passariam o Natal aqui e voltariam pra lá. No ano novo a proprietária me liga dizendo que a porta da geladeira ficou aberta, que deu um vazamento e que teríamos de pagar por todos os estragos. Fiquei branca. Meus sobrinhos voltaram pra lá e começaram a investigar o acontecido. A geladeira dela tinha um sistema de fazer gelo automático, com o cano de água da rua ligado diretamente nela. Eis que esse cano/adaptador congelou e estourou, e saiu água pra tudo o que foi lado. Vazou nos 2 andares de baixo e até tiveram de chamar os bombeiros pra arrombar a porta e parar a inundação!!! Porta da geladeira? Sei! 


Além de estragar todo o piso do nosso andar, arruinou o teto e o piso dos andares de baixo... uma dor de cabeça. Abri um sinistro na Desjardins por telefone, mas não conseguia resposta. Aí o prédio, que é quem paga o conserto e depois vem cobrar, ficou cobrando a proprietária, que me cobrava, que cobrava o seguro, que não me dava uma resposta oficial. Só consegui que enviassem um perito no fim de janeiro e o veredicto foi o seguinte: "a geladeira não é sua, nós não cobrimos. Nós seguramos os seus bens, se a propriedade causar algum dano a eles."

Ou seja, ela exigiu um seguro que só protegia a mim mesma. E só cobria danos que eu mesma (ou minhas coisas) causassem. Ela precisava ter um seguro dela para o apartamento, mas não tinha e pensou que o meu bastava. Infelizmente não. Recebi comunicações de investigação até maio. Até hoje não sei o que é que deu. Espero que tenham resolvido o problema. * importante: fazer seguro!!!

Moradia em Montreal I - A busca

O consulado brasileiro em Montral preparou um guia para quem pretende morar lá. É uma compilação de várias dicas, divididas por assunto. Então eu resolvi postar essas informações aqui, com comentários baseados na minha experiência pessoal...

O primeiro item é Moradia. 

Vou começar do começo. Ao procurar anúncios, você vai ler: 2 1/2, 3 1/2 etc. Os números inteiros são os ambientes e o 1/2 é o banheiro. Assim, um 4 e 1/2 geralmente consiste em 2 quartos, sala, cozinha e banheiro. Em aptos em que a sala e a cozinha são conjugadas (sem parede), contam os 2 como uma peça só. O que eu acho bizarro dessa marcação é o caso de uma casa com 2 banheiros, como fica? 1/2 + 1/2 = 1! Nunca entendi isso muito bem! Será que todas as casas só tem 1 banheiro? Ou banheiro é 1/2 não importa quantos sejam? rsrs *banheiro é 1/2 não importa quantos sejam! Valeu Sandro!*

O guia começa dizendo que se pode alugar ou comprar um imóvel procurando uma corretora, vendo os classificados dos jornais ou mesmo passando pelas ruas e anotando o telefone. E que, em geral, os edifícios dispõem de serviço próprio de aluguel.

Meu caso: a primeira vez que fui, fechei o curso com homestay e morei com uma senhora muito simpática em Verdun. O apartamento era bem simples, mas tinha ponto de ônibus bem na porta (o que ajudou muito no inverno!). A minha relação com a moradora era ótima e se eu quisesse jantar com ela, avisava e pagava por isso. Adorei a experiência e a família dela, mas era muito caro para o que era. Acho que eu pagava o aluguel do imóvel inteiro ($650). E a internet inclusa não dava pra nada (eu tinha de pagar mais pra poder baixar mais dados!). E o pior: não tinha lavanderia dentro da casa, só a 10 quadras de lá (o que foi um problemão no inverno!). Quem optar pela homestay, deve checar bem o que está realmente incluso. Tive amigas que deram sorte, mães que lavavam e até passavam a roupa para elas, e outras que deram azar, dormindo em casas com bedbugs e chegando cheias de alergia na aula. *importante: se não pedir pra trocar de homestay nas duas primeiras semanas, vai pagar multa se quiser trocar depois. Eu não troquei pela senhorinha e acabei ficando 6 meses por lá. 

No Natal, porém, uma amiga me convidou pra ficar com ela no apartamento do primo, que ia viajar. Com isso, iria economizar um mês de aluguel e dava pra encontrar meu namorado em Vancouver no ano-novo! Conversei com ela, expliquei a situação e disse que voltaria em janeiro. Até paguei pra deixar uma mala lá. Pareceu que ela entendeu numa boa, mas aí eu disse que ainda gostaria de passar o dia 24/12 com ela, como o combinado. Foi então que vi que toda a gentileza era apenas parte do negócio e não "amizade". Ela literalmente me disse que se eu não iria pagar o mês de dezembro, também não poderia passar o Natal com eles (mesmo pagando pela minha despesa!). Foi um choque pra mim! Uma senhora de 65 anos, sabendo que eu tava lá sozinha, num momento difícil, nem se importou! E era Natal gente! Será que sou ingênua demais?! *importante: o povo em Quebec é muito gentil, mas pra serem amigos de verdade, demoram um pouquinho mais do que aqui. 




Em janeiro, ela me tratou como se nada tivesse acontecido, e eu também, mas já comecei a buscar um lugar pra morar. A minha estratégia era a de andar pelas ruas que gostava, ver os anúncios que ficam pendurados pra fora, ligar e agendar uma visita. Tava olhando com calma, perdi boas oportunidades, mas confesso que fiquei com medinho de morar com desconhecidos. Ia visitar o apto e ficava reparando mesmo era na pessoa, pra ver se era muito estranha, festeira, mente-aberta demais, metódica demais, psicopata etc etc etc. Não rolou!

Porém, como eu voltaria para o Brasil para dar entrada no processo, precisava encontrar um apto pra quando retornasse, em julho. A vantagem é que este é o período "oficial" de mudança e muitos alugueis se renovam dia 01/07. Fiquei uns 20 dias feito louca, vendo todos os aptos do craigslist e do kijiji que se encaixavam no meu perfil (iria dividir com meus dois sobrinhos de 22 anos) e visitando um por um. Gente, foi muito difícil! Ninguém queria alugar pra 3 "jovens"(Rá! Sou jovem ainda!). Eu dizia que os dois irmãos eram comportados, muito estudiosos, mas ninguém aceitava. Desculpas mil porque se eu desconfiasse que era preconceito por ser brasileira, poderia dar problema pra eles. 

Além disso, muitos prédios dos quais eu gostava (e sabia que havia apartamento pra alugar), não tinham porteiros. O jeito era encontrar os anúncios na internet! Só na última semana consegui encontrar o meu imóvel! Correria total... assinei o contrato no último dia! Ainda assim, porque tinha referências (o aluguel de Vancouver e a senhorinha de Verdun) e fundos pra adiantar o aluguel (não é recomendado adiantar mais do que 3 meses - o primeiro, o último e o depósito de segurança- mas era minha última chance). Deu certo, já tínhamos onde ficar. Ufa!



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