Páginas

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Feeling violent...


I am feeling so violent right now...  

Violentíssima porque me sinto completamente separada dessa sociedade em que vivo. Um peixe fora d'água, uma estrangeira em meu próprio País, dêem o nome que quiserem! São Paulo está passando por uma fase com toque de recolher, uma verdadeira guerra entre "polícia" e "ladrão", que muita gente não está nem acompanhando. O que está por trás disso? Posso vislumbrar milhões de hipóteses e todas me envergonham. Não por ser brasileira, mas por ter desistido. Por só querer ir embora daqui (e pra bem longe) e me separar desta zona toda. 

Curioso como essa agressividade brotou em mim, utópica como sou. Sempre acreditei que pertencia ao mundo, que as fronteiras nunca ajudaram em nada na evolução da sociedade e que no fundo o ser humano é essencialmente igual. Ledo engano, quem pode com as influências do meio? Foi por pensar, repensar e constatar, que cheguei a conclusão (pessoal) que cada um deve viver com o grupo que se sentir mais conectado. Não por preconceito, por afinidade mesmo. E que fique claro, afinidade de IDEAIS. 

Violenta? Talvez...

As religiões também deveriam ser assim. Cada um acredita na "historinha" que quiser. E quem não gostar de nenhuma, que invente a sua - ou não. Só não tenha a arrogância de dizer que "porque o outro não escolheu a mesma que você, ele é menos digno ou merecedor de qualquer coisa". Pois é aí que violência se agrava. Quando a "verdade" de um passa a ser mais "válida" do que a do outro. Ninguém tem de impor verdades a ninguém. Aliás, é por isso que não gosto desses adesivos de Igrejas. O que é sagrado vira uma marca a ser exibida. O ideal seria que nossos atos bastassem para sermos identificados como cristãos ou qualquer outra coisa. O resto é puro marketing. E, por definição, uma semente de "violência".

Pela mesma razão, eu nunca entendi muito bem esse "orgulho" de ser de certa nacionalidade. É que a gente normalmente tem orgulho das nossas CONQUISTAS e o local do nosso nascimento, salvo considerações religiosas, é mero ACIDENTE GENÉTICO! Então, quando o americano coloca aquela bandeirinha em tudo que é filme, vejo mais como um atestado que diz: "sim, fui convencido de que sou mais especial do que o resto do mundo só porque nasci aqui". Estou sendo radical, pode ser apenas orgulho da sociedade em que vive, que teoricamente ajudou a "construir", mas será mesmo?! Ou será defesa diante da bronca do resto do globo?!

Da mesma forma, quando o cara diz que tem "orgulho de ser brasileiro" e mora fora do País, imagino que seja apenas um probleminha semântico, do tipo: eu tô aqui, mas tenho carinho pelo Brasil, por tudo o que ele representa, a sua cultura etc. A verdade é que muitas vezes o usamos como brasão também, aproveitando a boa reputação dos brasileiros, como pessoas "bonitas, gentis, simpáticas"... e que ninguém fale mal do nosso País! Nem a gente mesmo!!! Nada dá mais raiva no exterior do que brasileiro que mete o pau no Brasil! O coitado leva a fama como se tivesse feito tudo sozinho. Como se nós fôssemos completamente isentos dele ter se tornado o que é. (Ops!)

Mas tem um caso em especial que considero este orgulho legítimo: quando vejo um brasileiro muito feliz porque conquistou a cidadania canadense! Poxa... ele precisa falar os idiomas, ser um bom profissional, ter coragem de começar do zero, aprender a viver em uma cultura completamente diferente etc, sem falar na sobrevivência a este processo interminável de imigração. É pra ter orgulho ou não é?! É um feito e tanto!

Pra resumir, acredito que as pessoas não deveriam ter orgulho ou vergonha de seus Países, mas de suas atitudes. Porque nascer brasileira não foi mérito meu. Mas a sociedade da qual participo não deixa de ser. Não é todo brasileiro que samba ou joga futebol, mas todo brasileiro que está aqui é responsável por essa sociedade em que vive, mesmo que seja por omissão. Quem opta por não agir, está optando pelo agressor. E "agir" pode significar muita coisa.

Por outro lado, se é "menos violento" aquele que não separa, mas respeita e inclui culturas, religiões e partidos políticos, it is safe to say que o Canadá é o País "menos violento" do mundo! Ou não?! Onde mais existe tanta pluralidade? Por esta razão que me entristeço quando a Pauline fala, por exemplo, da "necessidade" de colocar o francês acima do inglês. É tão mais bonito e soberano um Canadá coeso, seja em inglês, francês, espanhol ou qualquer outro idioma... o que me conforta é acreditar que isto não vai muito adiante (pelo menos se pensarmos em como esta sociedade vem agindo nas últimas décadas), não se pode corroborar tanta incoerência assim.

Mas não posso encerrar sem dizer que antes de ter "orgulho" de qualquer coisa, é preciso ter humildade. Claro que quero fazer parte deste Canadá acolhedor, que respeita as individualidades e o próximo, mas sei também que preciso me despir dos meus próprios preconceitos e fazer por merecer esta sociedade que me recebe. Não basta gostar de hockey. Agora de uma coisa vocês podem ter certeza: se um dia de fato me aceitarem e receber a minha cidadania canadense, vou chorar de alegria e morrer de orgulho... Não por renegar as minhas origens, nem por não me preocupar com o resto do mundo (como se estivéssemos isolados dele), mas pelo simples fato de fazer parte desta sociedade que admiro tanto! Neste dia, vou comer poutine, biscoito de maple syrup e brindar esta conquista com um bom vinho canadense! Da janela, vai dar pra ver uma bandeirinha vermelha e branca festejando com o vento. Acenando com toda a violência do mundo.

10 comentários:

  1. Querida, faço minhas as suas palavras....
    Lindo e triste o post.....mas forte e corajoso também!
    Orgulho de te conhecer virtualmente!
    Estamos te esperando na nossa sociedade!
    Um grande beijo carinhoso!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi turma!
      Que bom que vcs entenderam bem o que eu queria dizer... tive medo das reações depois que terminei de escrever (certeza que vou perder seguidores! rs). Mas se escrevi, achei que deveria publicar. É o que penso e todo mundo tem o direito de discordar.
      Agora, bom mesmo é quando a gente encontra quem pense como a gente, real ou virtualmente! Aliás, um orgulho ter conquistado a amizade de vcs! ;)
      Beijão!

      Excluir
  2. Uau! Post incrível!!!!!!
    Nem sei o que comentar... vc disse tudo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Puxa Pati, obrigada... tava precisando desabafar! ;)

      Excluir
  3. Respostas
    1. Oie! Será que é porque eu tenho ascendente em escorpião? Intensa...in tensa (rsrs)!
      Beijoca!

      Excluir
  4. Oi Dea, tudo bom?? Aina não falei contigo para pegar seu endereço para o clube do livro! =) Você manda pra mim pro email do quebecquando?? quebecquando@gmail.com

    Bjs!
    Rafael.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Rafa, é pra já! Será que já foram viajar?! (ops!)

      Bjs!

      Excluir
  5. Olá, minha gente literária!
    Hoje postei o livro pra Cleo e tenho certeza de que ele chegará em seu destino antes do pedido de exames médicos…hahahahahahaha
    Enfim, estou torcendo para que nosso Clube renda frutos francófonos em nosso léxico québecois. \o/
    Bjos e Obrigada, Lídia & Dea, pela oportunidade.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que linda vc é Nilian! Obrigada por participar... =D

      Ainda não mandei seu livrinho (sorry), mas vou fazer de tudo pra colocar no correio hj (fds foi uma correria danada!). Ainda assim, garanto que chega antes do pedido de exames médicos (hahhaha... boa!)

      Beijão!

      Excluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...